Teve uma fase em que eu simplesmente não conseguia mais ler. Eu até começava livros, mas abandonava todos. Lia algumas páginas, perdia o interesse, me distraía… e a pilha de livros parados só aumentava.
O pior não era nem parar de ler, era a sensação de frustração. Porque eu sempre gostei de livros, então ficava aquela pergunta chata na cabeça: “como assim eu não consigo mais?”
Demorei um pouco pra entender que o problema não era falta de gosto pela leitura. Era excesso de cobrança.
Entendi que eu estava escolhendo livros errados pra minha fase
Um dos maiores erros que eu cometi foi insistir em leituras que eu achava que deveria estar lendo. Livros muito densos, muito teóricos ou que não conversavam em nada com o momento que eu estava vivendo.
Quando a cabeça está cansada, o livro precisa acolher, não exigir.
Voltar a gostar de ler começou quando eu me permiti escolher livros mais leves, com linguagem fácil, capítulos curtos e histórias que prendem. Não porque são “menores”, mas porque eram certos para aquele momento.
Parei de tentar ler como antes
Outra coisa que me travava muito era a comparação com o meu “eu do passado”. Aquela versão que lia por horas, devorava livros, terminava tudo rápido. A vida muda. A rotina muda. A energia muda.
Aceitar que meu ritmo agora é diferente foi libertador. Ler 10 páginas hoje já é melhor do que esperar um dia perfeito que nunca chega.
Quando parei de competir comigo mesma, a leitura voltou a fluir.
Abandonei livros sem culpa
Esse foi um divisor de águas. Antes, eu insistia até o fim, mesmo achando a leitura chata, arrastada ou cansativa. Resultado: associava leitura a esforço.
Hoje, se um livro não me prende, eu paro. Simples assim. Isso não é desistir. É respeitar meu tempo e meu interesse. E, curiosamente, quanto mais eu me permiti abandonar livros, mais eu passei a terminar outros.
Criei pequenos rituais, não metas gigantes
Eu também parei de estabelecer metas irreais, tipo “vou ler 30 páginas por dia”. Isso só gerava pressão.
O que funcionou de verdade foi criar pequenos momentos de leitura:
-
alguns minutos antes de dormir
-
um capítulo depois do café
-
leitura no lugar do celular em certos horários
Quando a leitura virou um hábito leve, e não uma obrigação, ela voltou a ser prazer.
Troquei o celular pelo livro (aos poucos)
Não foi radical, nem imediato. Eu só comecei a perceber o quanto o celular estava roubando minha atenção. Aqueles minutos “inofensivos” viravam meia hora fácil.
Não parei de usar o celular, mas passei a escolher conscientemente alguns momentos pra trocar a tela pelo livro. E isso ajudou muito na concentração.
No começo é estranho. Depois, o cérebro se acostuma.
Entendi que reler também é válido
Teve um período em que eu simplesmente não conseguia começar nada novo. A solução? Reler livros que eu já amava.
Reler é confortável. Você já conhece a história, não existe pressão, e o prazer volta de forma natural. Isso reacende o vínculo com a leitura. Depois disso, pegar livros novos ficou muito mais fácil.
Parei de tratar leitura como produtividade
Talvez esse tenha sido o maior aprendizado. Ler não precisa “render”, ensinar algo útil ou gerar resultado. Às vezes, é só prazer e isso já é suficiente.
Quando a leitura deixou de ser uma tarefa de desenvolvimento pessoal e voltou a ser um momento meu, tudo mudou.
Voltar a gostar de ler não foi sobre disciplina. Foi sobre permissão.
- Permissão pra escolher livros mais leves.
- Permissão pra ler menos.
- Permissão pra abandonar.
- Permissão pra mudar de fase.
A leitura voltou quando eu parei de exigir tanto dela — e de mim. Se você travou nas leituras, talvez não precise forçar mais. Talvez só precise ajustar o caminho. E isso, aos poucos, faz o prazer voltar
Um super beijo!! 🤍



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